"Você é um cafajeste", gritava eu, o subconsciente. Não que ele ouvisse. Por "ele" quero dizer "eu", a quem me dirigia, mas não exatamente o "eu subconsciente". Por "eu" quero dizer o cretino, a pessoa física e a pessoa consciente, que não completamente signifique qualquer coisa, afinal ele nunca está no comando de fato. Enfim. "Você é um cafajeste", gritava eu, o subconsciente, para eu mesmo consciente. O que, na verdade, não fazia lá grande diferença, afinal o consciente nunca ouve a mim, de fato. No máximo capta um susurro qualquer, apenas. O que me deixa deveras emputecido, porque a ele cabem as glórias das idéias boas e a mim restam apenas os problemas e complexos. Puta injustiça.
Mas bem: "você é um cafajeste", gritava eu, o subconsciente, para o eu mesmo consciente. Ele não ouvia, mas captava o eco, e assim seguia sendo cafajeste, cada vez mais cretino e cafajesete. D'aí que sou emancipado, me tornei independente por insatisfação. Já que não é reconhecida a minha autoria nas idéias interessantes, tá, hei-de fazer algo para me divertir pelo menos. Eis que nasceu o cafajeste. Confesso que também por pena; tão coitado ele, sofrendo na mão de mulheres por tanto tempo; e agora tornara-se, digamos, esteticamente agradável e até interessante. Pois que surgia em sua cabeça, através de mim, subconscientemente, a divisão classificativa das mulheres em itens de bombonière. Chiclete, caramelo, balinha de abacaxi e pirulito, basicamente. Cafajeste o homem que divide as mulheres por bombom, não?
A mulher-chiclete, segundo refletiu (ou o fiz refletir), era aquela que você "mastiga" e aproveita, até que "perde o doce" e o "açúcar" e você cospe fora; só não pode pisar, porque senão gruda.
A mulher-caramelo, que é difícil de "desfazer da embalagem", difícil de conseguir; é dura, mas depois de algumas lambidas, fica uma delícia; difícil reclamar dela.
A mulher-balinha-de-abacaxi, que logo que você come você vê que não é o que você pensava, não tem nada de "abacaxi". Além de tudó, é enjoativa.
E, enfim, a mulher-pirulito, que você "lambe" por um bom tempo, até chegar ao meio, de chiclete. É boa, por um tempo vale à pena, é doce, mas vira chiclete. Aí, segue a regra da primeira.
Desde tal idéia não houve uma mulher que escapasse a sua classificação classificação. Até que, um dia, connheceu AQUELA mulher. Mas isso é história para outro solilóquio...
(co-autoria de Laís Lobo)
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