Casual encontro:
- E então, há quanto tempo sem nos falarmos, não é?
- Pois é. Desde aquele malfadado jantar... Três meses, não?
- Hum, nem me lembre. Encontro de casais, sempre um desastre. Falando nisso, você, a Lúcia... Como está o romance?
- Ah, terminei.
- Ué, Terminou com a Lúcia? Mas porque?
- Não, terminei o romance que eu estava escrevendo.
- Ah. Não sabia que você estava escrevendo um romance.
- Mesmo? Eu te falei. Na ocasião desse mesmo jantar, se bem me lembro. Entre o leitão e a degustação de vinho.
- Hum. Falando em vinho, lembra-se do Gilberto? O irmão do Carlos do escritório dos Freitas, casado com a Silvinha.
- Quem casado com a Silvinha: o Carlos ou o Gilberto?
- Nenhum dos dois. O Freitas. Rogério Freitas. Lembra-se dele?
- Lembro sim. Não foi ele que foi expulso da casa do Gomes por estar fazendo obscenidades atrás das palmeiras que ornamentavam a piscina? Dizem que foi com um cachorro. De cerâmica.
- Não, creio que não. Esse Freitas é dono de várias empresas. Riquíssimo.
- E só por isso não pode transar com um cachorro de barro?
- Mas não era de cerâmica?
- Tanto faz.
- Nada disso. Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa.
- Puts! Acabei de lembrar... Sabe o Coisa?
- Não.
- Como não Sabe?
- Não sabendo, ué. Da mesma forma que não sabia do seu romance.
- Com a Lúcia?
- Não, o romance que você estava escrevendo.
- Ah. Você já leu?
- Claro que não. Nem sabia que você tinha escrito um romance.
- Ah, é mesmo. Se quiser, vai ter um jantar com degustação de vinho que vai marcar o lançamento do livro. Só entre os amigos, sabe? Casais. Leve a Paula. Vai ser na sexta da semana que vem.
- Tudo bem, vou sim. Na sua casa de novo, não é?
- Isso.
- A propósito, quem trepou com a estátua do cachorro fui eu.
- Ah.
Silêncio constrangedor. Despedida:
- Então tá, tchau.
- Até sexta na sua casa.
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