terça-feira, 29 de novembro de 2011

Um cara sem sorte - Capítulo 5

Chegou ao chaveiro. O homem era miúdo, de uma forma engraçada. Usava um chapéu engraçado, uma camisa de botões engraçados e uma estampa engraçada, sapatos de cadarço engraçados e um shorte preto. O homem sorriu de um jeito engraçado e, com cordialidade, cumprimentou-o:
- Ora, Gustavo, está ficando cada vez menos raro vê-lo por aqui!
O publicitário riu:
- Ei Bob, você sabe que esse não é o meu nome.
- Sim, de fato sei, mas as moscas estão por aí cara. Nunca se sabe quem está de olho na bandeira.
O publicitário já estava acostumado a isso. O Bob era sempre assim, meio neurótico, louco. Mas era engraçado, o que o redimia de qualquer coisa. Prosseguiu:
- Certo, certo Bob... Vou precisar do de sempre. Ainda tem a fôrma da minha chave aí?
- Lógico, pezinho-de-alface. Você aparece aqui pelo menos 2 vezes por mês por uma chave nova. Já tenho até algumas já feitas, de reserva. Tome, leve essa; é por conta da casa dessa vez!
- Ah, obrigado Bob! Melhor ainda porque também não tenho dinheiro. Mas logo que tiver, venho te pagar uma cerveja.
- Ok, amigo, sem problema.
- Bom, muito obrigado Bob. Até mais!
- Até mais, Jorge! Vai com Kevin!

O publicitário andava tranquilamente. Estava feliz em poder voltar pra casa. Ainda estava feliz também por ter conhecido a Anna. Como já estava perto da hora do almoço, resolveu pedir comida pra levar pra casa, mas lembrou que estava sem dinheiro então foi direto pra casa mesmo. Quando estava chegando, porém, viu um amontoado de pessoas na pista. Correu para ver o que era. Como não conseguisse chegar perto, perguntou a alguém que parecia já ter se informado e estava tangenciando o círculo, contando a outras pessoas:
- Foi uma garota. Atropelada quando atravessava a pista. Uma doida; o sinal estava fechado, disseram, e ela passou correndo. Trágico.
Ouvia-se ao longe o som de sirenes se aproximando. O homem prosseguiu:
- Bem bonita ela. Uma pena... E veja o drama: quando chegou alguém pra socorrê-la, parece que ela disse algo antes de desmaiar, morrer, sei lá.
O publicitário ficou curioso. Perguntou:
- Mas o que foi que ela disse? Você sabe?
- Ah, parece que disse o nome de alguém. "Ana", se não me engano. Deve ser a mãe dela, ou irmã, sei lá.

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