Chegaram à padaria, que não era tão longe, e ele percebeu que nunca havia ido ali. Perguntou-se como isso era possível, afinal morava lá desde sempre e aquela padaria era na avenida. Passava por ela todo dia para ir ao trabalho. Olhou em volta. Era um local realmente agradável, até aconchegante. Um misto de padaria, lanchonete e lojinha de conveniência (cuja única conveniência, como em todas as lojas de conveniência na verdade, era o modo convenientemente mais lucrativo para eles como as coisas estão dispostas nas prateleiras, fazendo com que você inconvenientemente encontre e compre qualquer coisa que não o que você de fato queria). Sentaram-se e ele olhou novamente e mais atentamente para ela. Era muito linda. Cabelos ruivos, repicados, emolduravam um rosto anguloso. Seu rosto parecia ter sido feito à mão. Ela sorriu um pouco sem jeito e perguntou:
- O que foi? Você está já há meia-hora com cara de bobo olhando para mim...
Ele sorriu intrigado. Percebia que, apesar de se desdobrar em sorrisos, seus olhos eram bastante tristes. Por fim, falou:
- Nada demais, só admirando sua beleza...
Ele percebeu o quanto aquilo soara piegas. Ela riu um pouco. Ele, subitamente, se deu conta de algo. Perguntou:
- A propósito, como se chama a senhorita?
- Ah, Anna. Anna Domarco...
Ela riu, aparentemente de uma piada interna que ele não captou. Ela perguntou:
- E você? Também não sei o seu nome...
Ele estava prestes a falar quando, de repente, um carro irrompeu pelo vidro da frente da padaria. Cacos do vidro se espalharam pelo recinto, para todo lado; no susto, ambos caíram das cadeiras. O caos se espalhou, e rapidamente todas as pessoas estavam correndo, pra lá e pra cá, sem de fato ir a lugar algum, como formigas cujas antenas foram arrancadas. Ele rapidamente se pôs de pé e foi ajudar a Anna. Olhou em direção ao veículo estacionado tranquilamente entre o caixa e uma prateleira de doces e percebeu, estupefato, que aquele era o seu carro. Sabia daquilo porque nenhum outro carro na terra tinha um capô com um membro fálico riscado à prego, uma porta verde a a outra azul. Um homem careca e forte, usando dois tapa-olhos, um em cada olho, desceu do carro resmungando com uma arma em punhos.
mais, mais, mais! por favor!
ResponderExcluir